sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

instant crush



Deito-me e me sinto atravessada,
minhas memórias tão recentes,
filmes nossos expostos ao sol,
fotos queimadas de luz,
nosso beijo contra a tarde,
sua mão na minha pele...
Tudo tão quente.

Como aquele nosso dia de verão...

18 anos



Esta é a diferença;
Procura por motivos para ficar comigo,
quando deveria tentar encontrar algum
para não fazê-lo.
somos tão certos...
É muito pedir por um pouco de devoção?

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Ampulheta

Te vejo por detrás dos aranhados,
ralhando com força os punhos no vidro,
movendo os lábios calados,
olhos vermelhos e cansados,
grão a  grão se desfazendo.

os segundos passando,
você se afunilando,
querendo desesperadamente
se reconstruir.
eu, inerte, não posso nada impedir.
apenas espero e choro,
vendo o tempo lhe destruir. 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

não há alívio.

eu consigo sentir suas mãos desfazendo-se das minhas.
e eu acreditando que se encaixavam tão bem...
como foi tão óbvio pra você,
e tão embaçado para mim?
eu queria poder dizer que quando você virar para trás
eu serei apenas memória.
realmente queria.
mas é triste saber,
e você acreditar,
que eu estarei sempre aqui,

esperando você virar. 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Cursos

Fico feliz que não tenhamos dito Adeus.

Nossos caminhos se bifurcaram tão simples, tão naturalmente quanto o curso de um riacho calmo que se encontra com um rochedo. Tão natural quanto o nascer do sol que caminha e marca o céu cálido, mas que depois se deita na noite tétrica.

Ciclos que nos fizeram crescer em um mesmo tempo, mas em diferentes espaços, e fico feliz que não tenhamos dito Adeus.

Na manhã, só tive que me deparar com sua ralha fragrância e sua impressão em meus espelhos, nada mais. Não há mágoas nem ressentimentos. A apatia se finge maturidade e nosso contentamento é conformista.

Fico feliz que não tenhamos dito Adeus...

Para ser sincera, odeio despedidas.

domingo, 16 de outubro de 2011

Julia

Calma, como o mar,
voce se dilui nas memórias.
o tempo lhe trás de volta
em um breve sussurro de amor.

O vento límpido do seu sorriso
soprou-lhe a alma pra longe,
mas ainda assim,
te espero
atravessar a rua
e vir pra casa.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Realidade Altruista

A plenitude se estende pelas minhas pálpebras. A calmaria de uma leve brisa gelada se contrapõe contra o calor pulsante de meu corpo. O horizonte se estende ao imaginável e os contornos iniciam-se a tomar forma. Sento-me, quieta demais, e mesmo que desconfiada, aprecio os minutos de uma extensa (e genuína) solidão. Converso com minhas faces, discuto com minhas opiniões e me calo por mais alguns instantes. Pela primeira vez em muito tempo sinto uma felicidade estonteantemente calorosa que me pulsa pelas veias e transborda em um sorriso leve. Não há medo nem decepção, quero estar aonde cheguei, e cheguei onde estou. Tudo isso é meu, obra de meu próprio ser. Algo invade repentinamente e me retira do meu breve estado de ventura. Um som repetitivo e conhecido esgarça-se entre meu mundo destruindo a delicadeza de minhas construções. A paz foge em um instante tão breve que me faz questionar de fato sua presença. O chão treme e a escuridão invade. Tudo volta e ficar tão frio, desconhecido, apavorante. Me abraço protegendo-me da escuridão veloz que insiste em invadir, se aproximando cada vez mais rápida, me engolindo, voraz, dolorosa, gélida, se aproxima, mais rápida, mais rápida, mais rápida....

Os olhos se abrem. A cortina se debate violentamente com o vento da janela.

Hora da realidade.